A recente operação envolvendo a Brex chamou a atenção do mercado de startups e fintechs. A empresa é hoje uma das principais plataformas globais de gestão financeira para empresas de tecnologia, oferecendo cartões corporativos, contas digitais, gestão de despesas, controle de gastos e infraestrutura financeira integrada, especialmente voltada a startups e scale ups.
Na prática, a Brex atua como uma camada operacional do financeiro dessas empresas, centralizando pagamentos, controle de despesas e dados estratégicos em um único ecossistema. Não é um produto periférico. É infraestrutura financeira crítica para negócios de alto crescimento.
Dito isso, a pergunta que naturalmente surge diante de uma operação desse porte é: quanto os fundadores colocaram no bolso?
Quem são os fundadores e por que isso muda a leitura da operação
A Brex foi fundada por Henrique Dubugras e Pedro Franceschi, empreendedores brasileiros que já tinham um histórico relevante antes mesmo da criação da empresa nos Estados Unidos.
Antes da Brex, os dois fundaram a Pagar.me, empresa brasileira de meios de pagamento que foi vendida para a Stone em uma operação de destaque no mercado. Ou seja, não se trata de fundadores em busca do primeiro evento de liquidez. Eles já monetizaram no passado.
Esse ponto é central para a análise. Fundadores que já passaram por uma saída relevante tendem a estruturar novas operações com outra lógica econômica. O foco deixa de ser apenas liquidez pessoal e passa a ser estratégia, crescimento e consolidação de mercado.
O contexto da operação da Brex
Até o momento, não foram divulgados detalhes públicos sobre a estrutura completa da operação envolvendo a Brex, especialmente no que se refere à divisão entre cash in e cash out. Ainda assim, essa ausência de informação já permite algumas leituras técnicas.
Em operações de M&A ou investimentos estruturados, a forma como o capital é alocado diz muito mais do que o valuation divulgado. Ela indica se o movimento foi pensado como saída de sócios ou como reforço de caixa para um novo ciclo do negócio.
A pergunta retorna: foi cash out ou cash in?
O cash out é a parcela da operação destinada diretamente aos sócios vendedores. Ele remunera o risco passado e costuma ser predominante quando há saída total ou relevante dos fundadores, cenário mais comum em empresas maduras, com operação estabilizada e menor dependência dos empreendedores originais.
Já o cash in representa capital novo entrando no caixa da empresa, por meio de aumento de capital com emissão de novas quotas ou ações. Está normalmente ligado à continuidade dos fundadores, ao financiamento de crescimento, à integração pós M&A, ao saneamento de passivos identificados na due diligence ou à preparação para um novo ciclo de expansão.
No setor de tecnologia, é comum que essas operações envolvam capital pulverizado, com investidores financeiros, planos de vesting, stock options e outros instrumentos de incentivo de longo prazo. Isso significa que o cash out atribuído aos fundadores, na prática, tende a ser menor do que o headline faz parecer, já que o valor é distribuído entre múltiplos stakeholders.
Nesse contexto, o cash in ganha ainda mais relevância estratégica. Ele não apenas reforça o caixa da empresa, mas sustenta a continuidade do negócio, preserva incentivos de longo prazo e viabiliza crescimento sem depender exclusivamente da saída econômica dos fundadores.

O que a estrutura da operação realmente revela
Considerando o histórico dos fundadores da Brex, que já passaram por um evento de liquidez relevante com a venda da Pagar.me, a leitura mais sofisticada da operação não está em quanto eles receberam, mas em como o capital foi estruturado.
A proporção entre cash in e cash out ajuda a entender se a operação foi pensada como saída ou como aposta em crescimento. Revela o nível de comprometimento dos fundadores com o futuro da empresa e o que o investidor está, de fato, comprando.
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